Marta dedica gol na copa do mundo a igualdade de gênero

Jogadora aponta para chuteira com linhas azul e rosa após marcar gol

A jogadora Marta, heroína do esporte e conhecida nacionalmente como um símbolo da luta feminina por equidade nos campos, dedicou seu gol na Copa do Mundo feminina na última quinta-feira (13), pela seleção brasileira feminina de futebol, levantando sua chuteira e apontando para ela enquanto observava com cara fechada as câmeras do estádio. Isto foi um ato em referência ao movimento “Go Equal”, onde mulheres exigem que seus direitos e recompensas sejam iguais aos dos homens.

Neste mesmo dia, Marta foi autora de mais uma incrível façanha: é a primeira jogadora a marcar gols em cinco edições da Copa do Mundo. Isto vale tanto para jogadores homens quanto para jogadoras mulheres. Após o jogo, um repórter apontou o novo feito da jogadora, o qual ela respondeu: “Novo recorde? Isto é pela igualdade de todas mulheres. Não gosto de falar, gosto de mostrar”.

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Foto: Johannes Simon/FIFA

A chuteira apontada pela jogadora possui o símbolo de igual com as cores azul e rosa divididas igualmente. O movimento “Go Equal” ao qual Marta fez referência levando o símbolo em suas chuteiras ao fazer o gol, é um movimento de equidade entre homens e mulheres.

No Twitter oficial do movimento foi feita uma postagem escrita: “Equidade é algo pelo qual devemos lutar. E ninguém melhor que a Marta para lembrar que somos iguais. Hoje a #Marta está jogando com uma chuteira sem patrocínio esportivo com as cores representando equidade no esporte!”. Segundo o mesmo movimento, Marta fez a escolha de utilizar a chuteira devido à discrepância entre as propostas feitas pelas marcas para jogadores homens e jogadoras mulheres.

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Marta não é apenas uma jogadora de futebol comum. Além de sua aptidão profissional para o esporte, ela é Embaixadora da boa vontade da Organização das Nações Unidas (ONU), um cargo visado para diminuir as diferenças entre homens e mulheres na vida e no esporte.

Foi eleita cinco vezes pela FIFA como melhor jogadora do mundo. Marta também participa do “Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)”, um programa que visa promover atos que tentam erradicar a pobreza do mundo.

A história do futebol feminino não é tão longa quanto a do futebol masculino. No dia 23 de março de 1885 acontecia o primeiro jogo oficial feminino noticiado pela própria FIFA. Este jogo ocorreu em Crouch End, Londres, Inglaterra. Um jornal da época noticiou: Verdade, jovens homens correriam mais e bateriam mais forte, mas, além disso, eu não posso acreditar que eles mostrariam qualquer outro conhecimento maior ou habilidade na execução. Eu não penso que o futebol feminino deva ser extinto por causa de importantes artigos escritos por velhos homens sem simpatia por tanto pelo futebol como um jogo quanto pelas aspirações de jovens mulheres. Se o futebol feminino morrer, será uma morte difícil”.

Mas apesar de que o futebol fora aceito no passado, isto não significa que as recompensas financeiras sejam as mesmas no presente. Marta tenta demonstrar com fatos uma realidade: as mulheres atletas em dias atuais desempenham o mesmo ato, jogam nos mesmos grandes clubes e recebem exponencialmente menos do que homens.

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